A experiência de ter um bebê prematuro – Operação Pequenos Gigantes

“Um mimo é uma massagem no coração. Presenteie algo feito pelas suas mãos. Presenteie amor!”

Antes de ter um filho prematuro eu não tinha a menor noção do que isso significava. Claro que eu sabia que se devia ao fato de nascer antes da data prevista, mas o que eu não sabia e nunca tinha parado para pensar era o quanto isso é grave e coloca a vida tanto da mãe, quanto a do filho em risco. Aconteceu comigo há quase 6 meses atrás. Exatamente no dia que completei 28 semanas de gestação, ou seja, primeiro dia do sétimo mês tive um desprendimento de placenta e cinco horas depois da minha entrada no hospital a equipe médica decidiu “apelar” pra cesária. O meu filhote nasceu pesando apenas 745 gramas, cabia na palma de uma mão. As chances de vida eram muito baixas devido ao extremo baixo peso e, sobretudo, por não ter o pulmão desenvolvido para respirar sozinho. Ficamos 100 (cem) dias internados, e finalmente, depois de um tratamento cheio de altos e baixos viemos pra casa.

É inexplicável a sensação de ser mãe de prematuro. É subir numa montanha russa eterna. Tivemos muito medo, insegurança, sentimento de solidão, pavor, cansaço, preocupação e stress constantes. Saudades, muitas saudades. Quando voltei pra casa sem meu bebê e sem a minha barriga, me senti como se tivesse sido amputada. Sentia saudades dele dentro da minha barriga. Eu não gostava de ter que ir pra casa todas as vezes que eu precisava comer, tomar banho ou dormir, porém era necessário, e nestes instantes longe dele eram de pura ansiedade para voltar logo pro hospital e vê-lo.

Baseada em minha experiência como mãe de um prematuro, fico pensando naquelas mães que estão passando por todo o processo que eu já passei e sei o quanto dói. Sei o que uma mãe sente por não poder tocar seu filho, segurar ele no colo, ser privada de coisas absolutamente essenciais como amamentar. São dores que nem o tempo pode curar, lhes asseguro!

Para que a minha experiência não tenha sido em vão. Pela minha grande admiração pelos pais de prematuros que decidem com coragem acompanhar o seu filho até as últimas consequência e até por respeito à aqueles pais que por medo decidem se afastar. Mas é por eles, toda essa minha vontade de presentear amor é pelos pequenos guerreiros que tive o prazer de conhecer. Os prematuros são titãs, verdadeiros guerreiros cujo a luta é em prol de suas próprias vidas, e isso é simplesmente magnífico. Eles têm só um objetivo: viver!

Na primeira semana de outubro comemora-se na Argentina a Semana do Prematuro. Será uma semana com atividades, palestras, festas e lutas em prol dos direitos dos prematuros, tudo isso promovido pelo Ministério de Saúde e pela UNICEF.

Particularmente no Hospital onde o meu bebê nasceu  haverá uma festa de confraternização e reencontro. E foi á partir daí que tive a ideia de fazer a OPG, Operación Pequeños Guerreros (Operação Pequenos Guerreiros) com o intuito de mimar os prematuros e suas famílias. A ideia é arrecadar doações de presentinhos feitos com as próprias mãos, ou pelas mãos da sua avó, da mãe ou tia. O mais importante é que seja com amor. E eu levarei pessoalmente em nome da pessoa que doou. Ou se a pessoa tiver condições e tempo, pode me acompanhar e levar seu presentinho pessoalmente.

A Operação Pequenos Guerreiros visa mimar os prematuros e suas famílias com presentes feitos com amor. A intenção é levar um pouco de alegria e paz para pessoas que estão lutando e passando pelo momento mais doloroso de suas vidas.

Em 2012 o lema da campanha é: “Um mimo é uma massagem no coração. Presenteie algo feito pelas suas mãos. Presenteie amor!”

Ps: Sempre falo da experiência como mãe, mas quero incluir a todos os papais que acompanham o desenvolvimento dos seus bebês durante a longa jornada que é a internação. No meu caso foi assim. Eu não teria aguentado sem ele que esteve junto comigo e com o bebê incondicionalmente.

Volto logo com mais detalhes da OPG, Operação Pequenos Gigantes.

Beijos,

Ligia Lilix.

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